segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Papinha industrializada X Papinha Caseira

O jornal Folha de São Paulo publicou recentemente uma matéria comparando as papinhas caseiras e as industrializadas. Segundo a matéria, num primeiro olhar as papinhas industrializadas aparentam ser tão saudáveis quanto as caseiras: não têm conservantes, nem adição de açúcar e são vendidas em sabores que poderiam ter saído da cozinha mais próxima, como espaguete à bolonhesa e escondidinho de carne.

Mas, segundo um estudo publicado no "British Medical Journal", as papinhas industrializadas têm menos nutrientes e menor diversidade de sabor e de textura do que as feitas em casa.
Os pesquisadores da Universidade de Glasgow analisaram 479 alimentos industrializados para bebês feitos entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011 no Reino Unido.




Do total, 364 eram papinhas e mais da metade delas, 65%, eram doces. O trabalho concluiu ainda que a papinha pronta fornece, em média, metade da energia e das proteínas em relação à caseira.


Segundo os autores, bebês têm uma preferência inata por doces. E a exposição repetida pode influenciar as preferências futuras. No Brasil, não há uma análise semelhante recente, segundo a pediatra Roseli Sarni, da diretoria da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela conta que as papinhas mudaram de cinco anos para cá, atendendo a pedidos da entidade médica. "Tiraram açúcar, adicionaram leite em algumas delas. Mas não consideramos que seja um alimento completo." O problema, diz ela, é que as papinhas salgadas quase sempre excluem algum grupo de alimento, quando o bebê deveria comer de tudo. 

Para a nutricionista Carolina Cabral da Costa Silva, outro porém são os ingredientes em excesso. As de fruta não têm só fruta."Elas sempre têm um amido e suco de maçã, para adoçar", afirma Carolina. "Já as salgadas têm mais de um alimento do mesmo grupo (como batata e macarrão). A criança não aprende a reconhecer sabores."



Pelo mesmo motivo, a nutricionista Cláudia Lobo, autora de "Comida de Criança" (MG Editores, 248 págs., R$ 69,21), recomenda que as papinhas caseiras tenham pedacinhos e sejam servidas com os alimentos separados.

"Se há maior variedade de sabores, a criança vai crescer gostando de mais alimentos."
A gerente-executiva de Marketing de Nutrição Infantil da Nestlé, Ionah Kochen, afirma que não há contraindicação quanto à ingestão diária das papinhas. Segundo ela, de 2005 a 2012, a marca fez uma redução de até 56% de sal nos produtos.

Vale ressaltar que as papinhas industrializadas contém glúten, alguns bebês podem apresentar intolerância, e atrasar a exposição ao glúten pode proteger os bebês contra a doença celíaca. Sobre este tema, leia mais aqui. Outros pontos negativos das papinhas industrializadas que nos acabam passando despercebido:

Bisphenol A (BPA): Esse componente encontrado em plásticos e que causa alterações endócrinas e câncer, também é usado no lacre das tampas dos potinhos de papinha infantil, incrível não? Leia mais sobre o BPA e seus malefícios aqui.

Espessantes: As papinhas prontas são compostas em quase 50% por água e espessantes, que são farinhas ou outro carboidrato natural (carragena, goma guar, arábica, xantana e jataí) que serve para dar maior consistência e também servem como estabilizantes.  Apesar de teoricamente não fazer mal ao seu bebê, o valor da papinha pronta é 50% inferior a mesma quantidade do mesmo alimento integral.

Ácido cítrico: O principal preservativo encontrado em papinhas parece inofensivo, já que é um dos principais componentes de um limão. No entanto, o acido cítrico também é usado na formulação de produtos desengordurantes como detergentes e outros diversos limpadores devido a sua ação abrasiva. Um estudo alemão recente associa o ácido cítrico a irritações estomacais e maior incidência de cáries em crianças e adolescentes já que seria um dos principais responsáveis pela corrosão do esmalte dos dentes. O ácido cítrico é indiscriminadamente adicionado a todo tipo de balas, refrigerantes, sucos artificiais, molhos entre outros produtos alimentícios com alto apelo infantil. Quer dizer, não precisa introduzir um bebezinho a isso nas primeiras refeições de sua vida.

Diversidade: É só ler os rótulos das papinhas industrializadas para perceber que todos os potinhos contêm pequenas variações da mesma coisa. Um bebê precisa de cores, texturas e nutrição verdadeira, só assim ele vai ser uma criança saudável.

Higiene: Há o argumento de que as papinhas processadas são mais higiênicas, por quê? São produzidas por grandes máquinas que são diariamente lavadas com produtos químicos que deixam resíduos. Onde uma maça podre com certeza pode escapar ao crivo de seleção. 

Custo: Ainda bem que no Brasil, 120 gramas de papinha Nestlé é mais cara do que 120 gramas de qualquer fruta, verdura ou legume fresco.


Editoria de Arte/Folhapress

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