terça-feira, 11 de março de 2014

Crianças em Flow: favor não interromper!

Olá, queridas!

Li esse artigo esses dias e não poderia deixar de compartilhar com vocês aqui no blog. Escrito por Marcelo Michelsohn, segue abaixo na íntegra. Leiam com muito carinho e atenção, esse texto pode mudar o seu entendimento e comportamento em relação ao momento de brincar do seu filho!



Escrevi esse texto há alguns meses, mas acho que ilustra bem o que acontece quando nós estamos ansiosos e assim interrompemos o fluxo de atividade dos nossos filhos, também conhecido como “flow”. “Flow”, segundo Mihaly Csikszentmihalyi, psicólogo húngaro, é o estado mental no qual uma pessoa se encontra quando está imersa em uma atividade, sentindo-se energizada, focada, totalmente envolvida de forma prazerosa.  Vivemos em um mundo que privilegia a distração. É muito difícil manter o “flow” por mais de alguns minutos, ou segundos. Acredito que nós, adultos, não deveríamos piorar essa situação. Algumas perguntas para a sua consideração, leitor(a): Você já se pegou interrompendo a concentração dos seus filhos? Quando você consegue entrar em “flow”? Você já foi interrompida(o) durante um estado de “flow”? O que sentiu?
Eu e minha família fomos jantar em um restaurante no sábado passado. Estava bem cheio, mas conseguimos uma mesa mesmo assim. As crianças pediram cadeirões e o garçon os trouxe. Minha filha mais velha tem 3 anos e 9 meses e o caçula tem 1 ano e 7 meses.
Pegamos o cardápio e eu li em voz alta as opções para as crianças que escolheram bifinho com macarrão na manteiga e tomatinhos. Sugeri que eles fossem brincar enquanto a comida não chegava. Minha esposa me lançou um olhar e disse em voz baixa: “salve a não diretividade”. Tá certo, eu poderia ter ficado quieto e deixado eles nos cadeirões até que a comida chegasse. Mas, como é comum, eu já pulei para o futuro e pensei que se eles ficassem no cadeirão o tempo todo, iam ter vontade de sair bem na hora da comida e aí não iriam comer e aí….
Ao invés de lidar com o aqui agora eu fiz um monte de pressuposições sobre o futuro. Isso me deixou ansioso e eu “resolvi”, de forma bem diretiva, o problema. O que eu poderia ter feito? Bom, primeiro eu deveria notar que por algum motivo eu deixei de estar no presente e viajei para o futuro. Se conseguimos notar esse movimento antes de agir, podemos escolher pausar, e não fazer isso. E, através do não-fazer, tão sabiamente experimentado nas aulas de Técnica de Alexander, eu poderia retornar ao presente e observar a situação.


A situação era: meus dois filhos estavam sentados no cadeirão, com giz de cera nas mãos, pintando em uns papéis que o garçon havia gentilmente trazido. Eu, com a melhor das intenções, interrompi essa atividade sugerindo que eles fossem brincar. Se eu estivesse centrado, observaria a situação e poderia ficar em silêncio ou então descrever o que estava acontecendo: “vocês estão colorindo o livrinho”.
O fato da minha esposa ter me alertado de uma maneira sutil e não com uma reprimenda, me ajudou a achar meu centro. Fiquei mais conectado quando a comida chegou e fiquei tranquilo enquanto eles escolhiam o que e quanto comer. Os dois comeram bem, mas não comeram tudo e quiseram descer dos cadeirões para brincar. Quando eu acabei minha refeição, fui brincar com eles e ficamos correndo, brincando de pega-pega e dando muitas risadas.


Meus aprendizados: respire e observe antes de interromper seus filhos. Note se seu desejo de interromper está partindo de uma necessidade real ou apenas de uma ansiedade. Respire, volte para o presente. Na dúvida, deixe rolar. Nunca estrague o “flow” dos seus filhos. Você faz práticas, estuda e busca esse estado de “flow” o tempo inteiro. Eles fazem isso naturalmente. Ajude-os a conservar essa capacidade.

2 comentários :

  1. Concordo e vou usar isso muito com o Pedro Henrique , outro dia mesmo estava falando sobre isso! Ótimo post!!! Beijossss tia batatinha

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    1. Esse texto é maravilhoso, não é linda? É preciso entender que nossos pequenos realmente têm o tempo deles, a vivência, o "mundinho" deles! Bjo enorme e não vejo a hora do Ique chegar para brincarmos muuuuuito com ele e com a Nina!

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